Tem-se popularizado a ideia de que ser cristão é sinônimo de ignorância. Não preciso mencionar nomes de cientistas do passado e atuais que além de uma mente privilegiada no campo da ciência eram também capazes de uma vida devocional em dia com a pessoa de Jesus Cristo.
E o que dizer dos discípulos de Jesus? Seriam eles tão simplórios a ponto de acreditar num absurdo chamado ressurreição? Para Bart Ehrman, diretor do departamento de religião da Universidade da Carolina do Norte e autor do best seller O Que Jesus Disse? O Que Jesus Não Disse? Quem mudou a Bíblia e por quê? (Ed. Prestígio), os proclamadores do cristianismo eram iletrados e, portanto, não seriam capazes de produzir um texto confiável como relatos da vida de Jesus. O mais curioso? Ele cita um texto bíblico para confirmar: Atos 4:13: "Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus."
Aparentemente, Ehrman está certo. Porém, ele só se esqueceu de observar o significado da palavra grega agrammatos (iletrados), no contexto do sinédrio judaico, no 1º século d.C. Nesse caso, o melhor significado para o termo seria algo como "não treinado na lei judaica". Se esse for o caso, Pedro e João estavam sendo acusados de não terem recebido instrução de rabinos e, portanto, não tinham o direito de citar as Escrituras Hebraicas, como eles estavam citando e interpretando. Essa é a opinião de outro erudito em Novo Testamento chamado Ben Whiterington III, professor na Asbury Theological Seminary, na sua obra The Acts of Apostles: A Socio-Rhetorical Commentary (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1988), p. 195-197.
Pedro e João estavam certos. Buscar a sabedoria deste mundo só garante àquele que a busca o fracasso. Qual tipo de sabedoria estamos buscando?
Luiz Gustavo Assis