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O mundo precisa de reformadores
/ MUNDO PLANO / Publicado por Heron Santana - 26/01/2010 | 17:27h

Há algo de revelador na fracassada Conferência do Clima ocorrida em dezembro em Copenhage, na Dinamarca. Você acompanhou: líderes mundiais se reuniram para discutir sobre como reagir às mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global. Não foi a primeira vez que aconteceu. Esse foi o 15º encontro organizado pelas Nações Unidas sobre o tema. O resultado também foi o mesmo. Os líderes conversaram e desconversaram, mas como alguém tem de ceder e ninguém cedeu um centímetro de sua agenda em favor de qualquer mudança, os sucessivos encontros destinaram tempo, dinheiro e energia para serem jogados na lata de lixo da história humana, ou nem tão humana assim. 

Surge então uma pergunta que temos de encarar nesse momento: por que hoje, quando uma onda de crise está varrendo o mundo, a liderança parece ser quase totalmente ausente? No momento em que a Terra parece caminhar sem direção certa, onde a riqueza inédita é incapaz de acabar com a pobreza, onde a diplomacia não encontra saída para conflitos políticos, étnicos e religiosos, onde tragédias como as enchentes no Brasil, o terremoto no Haiti, o terrorismo global assustam a vida em escala planetária, onde estão os líderes quando precisamos deles? 

A pergunta não é minha. Foi escrita no blog do neurocientista Umair Haque. Guarde esse nome. Ele dirige o Havas Media Lab, um escritório de consultoria sobre inovação estratégica, gestão, mídia e consumo. Em seu currículo está a colaboração com o jornalista Chris Anderson, autor de Cauda Longa e Free

Para Haque, o nó não está nos líderes. O problema é o conceito de liderança, que caducou. "A liderança do século 20 está impedindo a prosperidade do século 21", escreveu, em um fascinante post com o título "The Builder's Manifesto" (você pode ler, em inglês, aqui).

A própria palavra "líder" lembra um artefato do pensamento do século passado, raciocina Haque. O mundo vê alguns líderes políticos carismáticos como Barack Obama, Lula, até Hugo Chavez tem seu encanto bolivariano para uma certa massa, mas nenhum deles parece inspirar quem quer que seja a apostar em um futuro com mais esperança para a humanidade. Não botam mais fogo em ninguém, não inspiram mais ninguém a querer ser, digamos, líder. É preciso reinventar o sentido de liderança. 

No Brasil o bicho pega mais forte. Soma-se à crise de liderança o processo em curso de canonização de Lula. O presidente entra para a mitologia num momento em que o maior dilema da política nacional parece ser descobrir onde encontrar a mais resistente meia ou cueca em tamanho GG. Desse caldo não deve sair qualquer inspiração. Não mesmo. 

"The Builder's Manifesto" (Manifesto dos construtores, numa tradução livre) aponta para uma mudança radical. Saem os líderes, entram os reformadores. O texto traz comparações que dão o que pensar. Examina, por exemplo, Barack Obama e Mahatma Gandhi. Um é líder, o outro é reformador. Obama dominou como poucos a arte e o discurso da política. Mas parece não ter forças para reformar a sociedade de seu país. Gandhi reformou o estado indiano através da Satyagraha, o princípio da não-agressão, uma forma não violenta de protesto. Ele construiu uma revolução. Gerações de ativistas o seguiram. Inclua Martin Luther King e Nelson Mandela entre eles. 

Outro confronto fascinante: Ben Bernanke versus Mohammad Yunus. Homem do Ano ao segurar a crise econômica recente, Bernanke, um economista americano de Harvard, atual presidente do FED, o banco central americano, fez mais do mesmo. Crise vem, baixou os juros. Crise vai, os juros sobem. Não há reforma. Veremos mais e mais crises. Yunus, economista de Bangladesh, ganhou o Nobel da Paz graças à sua revolução do microcrédito. Reformou as relações econômicas com a população pobre. Construiu um fato novo e interferiu positivamente na mudança de vida de milhões de famílias. 

Existem outros exemplos. Todos redimensionam o método. Menos discurso. Mais reforma. Na política. Na economia. Na religião também. Quem sabe os líderes religiosos atuais decidam se comparar com o maior reformador que já existiu, Jesus Cristo. Haverá uma revolução, certamente. O apóstolo Paulo de Tarso, um dos esteios das origens do Cristianismo, sentiu isso em sua vida. E sugeriu: "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo" (1 Coríntios 11:1). 

Heron Santana

 
 
 
SOBRE O AUTOR
HERON SANTANA
 
Formado em Jornalismo pela Unicap, em 1997, trabalhou em rádios e jornais de Pernambuco, como o Jornal do Commercio e CBN Recife. Foi assessor de imprensa de órgãos públicos e entidades do terceiro setor, e atualmente é assessor de Comunicação Institucional da Igreja Adventista para a região Nordeste do Brasil.
 
     
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