INÍCIO  >  ARTIGOS  >   CIÊNCIA E RELIGIÃO  >   MISTURA IMPOSSÍVEL
 
Mistura impossível
/ CIÊNCIA E RELIGIÃO / Publicado por Michelson Borges - 27/10/2009 | 15:56h

À medida que as pesquisas no campo da Bioquímica e da Biologia Molecular avançam, mais o homem se conscientiza da enorme complexidade da vida. A ideia de que tudo teria surgido por mero acaso, através de fatores aleatórios ao longo de bilhões de anos, já não é tão aceita em nossos dias. E é nesse vácuo entre fé e teorias científicas ateias que vem surgindo com força o evolucionismo teísta

É interessante observar as reviravoltas que ocorrem na História. Durante a Idade Média não foram poucos os casos em que a ciência teve que se submeter à Igreja. Por meio da "Santa" Inquisição, o romanismo impunha o medo e mantinha sua dominação ideológica sobre a massa desinformada. A própria Bíblia era negada ao povo pois, "a fim de Satanás manter seu domínio sobre os homens e estabelecer a autoridade do usurpador papal, deveria conservá-los na ignorância das Escrituras. Suas sagradas verdades deveriam ser ocultadas e suprimidas. Durante séculos a circulação da Bíblia foi proibida pela Igreja de Roma. Ao povo foi proibida a sua leitura. Sacerdotes e prelados interpretavam-lhes os ensinos de modo a favorecer suas pretensões" (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 33 - Ed. Condensada). 

Os anos passaram. Pudemos ver, no fim do século 20, outra reviravolta. A Igreja Romana (quem diria!) se submetendo às proposições da ciência. Pior: às incertezas da ciência. Pelo menos foi o que se pôde perceber através dos jornais de todo o mundo, no fim de outubro de 1997. 

A revista Veja, por exemplo, trouxe à página 47, de sua edição de 30 de outubro daquele ano, o seguinte subtítulo: "O Papa surpreende ao dizer que a teoria da evolução é mais do que uma simples hipótese." E o artigo de Laurentino Gomes continua: "A Igreja [Católica] há muito tempo admite que alguns textos bíblicos são narrativas alegóricas, que não devem ser tomadas ao pé da letra. É o caso do livro Gênese..." 

Bem, isso não é nenhuma novidade, mas a seguinte declaração do falecido Papa foi: "As novas descobertas levam à constatação de que a teoria da evolução é mais do que uma hipótese... se o corpo humano tem sua origem em matéria pré-existente, a alma foi criada diretamente por Deus" (Aqui João Paulo II repetiu uma frase da encíclica "Humani Generis", do papa Pio XII). Essa declaração papal conferiu grande força à evolução teísta.        

Na verdade, mesmo que o papa não tivesse dito isso, as pessoas estão percebendo que Deus se explica (ou se aceita) pela impossibilidade de, sem Ele, se poder explicar tudo o que existe. Cada vez mais a ideia lógica de um Planejador cósmico é admitida, mas o pensamento macroevolucionista ainda resiste, uma vez que, para muitos (como os católicos), é sinônimo de verdade científica incontestável. 

Qual a solução, então? "Bem" - explicam alguns, - "Deus criou a matéria através do Big Bang e deu início ao processo evolutivo." Simples, não? Na verdade, parece simples, mas não é.

Se partirmos da premissa de que Deus é o Criador, mas Se utilizou de processos evolutivos para trazer a vida como a conhecemos à existência, a primeira a ser atingida por esse raciocínio "conciliatório" é a Bíblia. Vejamos por quê. 

A Palavra de Deus deixa clara a nossa responsabilidade diante do Criador. Mas se a espécie humana é o resultado final do acaso e da evolução através das eras cronológicas, temos nós qualquer responsabilidade diante de um poder mais elevado? De acordo com o Dr. S. J. Schwantes (Colunas do Caráter, p. 205 - Casa), "que estímulo há para se forjarem caracteres nobres e se praticarem atos heróicos numa filosofia que não reconhece outra lei que não a da selva, nem outra sanção que não a sobrevivência do mais forte?" 

Se a espécie humana evoluiu, tem significado o importante conceito "todos são criados iguais"? E como a regra áurea "fazei aos outros o que quereis que vos façam" encontra significado na sociedade, se a "sobrevivência dos mais aptos" tem sido responsável por trazer a humanidade ao seu presente estado de inteligência superior? 

As duas ideias não parecem ser compatíveis. Aliás, se a teoria evolucionista estiver correta, nem ao menos poderemos estar certos de que a "raça" branca, a "raça" negra, ou qualquer outra "raça" não seja inferior. 

Como se pode ver, a teologia bíblica é atingida bem no centro se rejeitarmos o relato da Criação. Importantíssimas doutrinas da Bíblia dependem desse relato. Por exemplo: a Bíblia afirma que a morte ocorreu como resultado do pecado (ver Gênesis 2). E na carta de Paulo aos Romanos, lemos que "por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte" (Romanos 5:12). Mas a evolução ensina que a morte existiu desde o princípio, muito antes que houvesse um ser humano. Em outras palavras: a morte não é um resultado do pecado. 

Nesse caso, qual é o significado teológico da vida e morte de Jesus? Paulo diz: "Porque, como pela desobediência de um só homem (Adão) muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de Um só muitos se tornarão justos" (Romanos 5:19). 

Por que precisamos de redenção e libertação? Se não houve um Jardim do Éden, com sua árvore da vida, qual é o futuro que Apocalipse 22 descreve para os remidos? Se as rochas da crosta terrestre já estivessem cheias de restos fossilizados de bilhões de animais, e mesmo de formas hominídeas que pareciam homens, então o próprio Deus é diretamente responsável por ter criado o sofrimento e a morte, não como julgamento pela rebelião, mas como fator integral da Sua obra de criação e governo soberano. E isso significa caos teológico! 

O quarto mandamento da Lei de Deus diz: "Lembra-te do dia do sábado para o santificar, seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus... porque em seis dias fez o Senhor os Céus e a Terra e o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou" (Êxodo 20:8-11). 

Além de ser um mandamento e um sinal distintivo entre o Senhor e Seu povo (ver Ezequiel 20:20), o sábado comemora a obra criadora de Deus, em seis dias literais. Cristo confirmou esse mandamento guardando-o (ver Lucas 4:16). A Bíblia assegura que na Nova Terra (Apocalipse 21) também será observado o sábado (ver Isaías 66:23).

Pela teoria evolucionista teríamos que ignorar também esse importante conceito bíblico que é uma evidência de nosso amor ao Criador (ver João 14:15), memorial da Criação e selo de obediência e fidelidade a Deus. 

Como se pode ver, evolução e criação é uma mistura impossível. A tentativa de conciliação (talvez para se evitar maiores discussões) acaba originando uma teoria amorfa e ilógica. 

A Criação não pode ser provada em laboratório, é verdade. Mas a macroevolução biológica também não. No fundo, tudo é uma questão de fé. De minha parte, prefiro crer no Deus Criador Todo-Poderoso, a crer no acaso e no tempo como os fatores "desencadeadores" da vida.  

Michelson Borges

 
Palavra(s) chave(s) / TAGS: Bíblia  criação  evolução  
 
 
SOBRE O AUTOR
MICHELSON BORGES
 
Jornalista (formado pela UFSC) e editor da Casa Publicadora Brasileira. É autor dos livros Nos Bastidores da Mídia, Por Que Creio, A História da Vida, entre outros. Mestre em Teologia pelo Unasp, mantém o blog www.criacionismo.com.br
 
     
  Ciência e Religião
Michelson Borges
 
     
  Escavando as Escrituras
Luiz Gustavo S. Assis
 
     
  Mundo Plano
Heron Santana
 
     
  Na Mira da Verdade
Leandro Quadros
 
     
  Nem Te Conto
Denis Cruz
 
     
  Nota na Pauta
Joezer Mendonça
 
     
  Qualidade de Vida
Fabiana Bertotti
 
     
  Questão de Confiança
Douglas Reis
 
     
  Reforma de Saúde
Luiz Fernando Sella
 
     
  Sem Neura
Claudia Bruscagin
 
     
  Vida Reversa
Jael Eneas
 
     
  Convidados  
     
assinar newsletter   nome   email  
© Copyright 2009, Outra Leitura